“Se nós realmente acreditamos que nosso lar está em algum outro lugar e que esta vida é uma 'busca para encontrar o lar', por que não deveríamos colocar os olhos na chegada?” A frase de C.S. Lewis e alguns acontecimento recentes me deixaram intrigado ao me levarem a perceber que nós, cristãos, temos perdido a capacidade de falarmos de maneira simples sobre aspectos relacionados à morte e ao que acontece depois dela.
Muito disso decorre do fato de que, em várias situações, temos procurado em Cristo unicamente um santo milagreiro, interessado em realizar tantos quantos forem os nossos pedidos.
A verdade, porém, é que a esperança de um cristão não pode ficar reduzida somente a este período que passamos na Terra e que chamamos de vida. Paulo nos adverte que “se é somente para esta vida que temos esperança em Cristo, dentre todos os homens somos os mais dignos de compaixão” (I Coríntios 15.29) e João nos ensina que Jesus nos fez a promessa da vida eterna (I João 2.25).
Temos que nos lembrar todos os dias que um cristão é, antes de tudo, alguém que “persistindo em fazer o bem, busca glória, honra e imortalidade” (Romanos 2.7). Eu sei... quando li este versículo pela primeira vez, achei que ele se parecia mais com os juramentos dos guerreiros espartanos no filme 300. Mas esta é a ideia que Paulo nos transmite ao escrever sobre a vida eterna: uma existência de glória, honra e imortalidade.
A capacidade de viver (e não somente de estar na eternidade) para sempre é um dos presentes que nós, cristãos, receberemos um dia. Ela virá juntamente com a glória descrita por Paulo como tão grande que não pode ser comparada com qualquer sofrimento humano possível (Romanos 8.18). Quando nosso espírito for capacitado para viver independentemente de nosso corpo físico, então seremos imortais. Nesse dia, os limites impostos pelo ambiente e tempo não serão mais aplicáveis a nós.
Você pode estar se perguntando: como assim? Bem, para dizer a verdade, sua pergunta é antiga (I Coríntios 15.35), assim como a resposta. Vejamos:
A bíblia nos ensina que a morte física funciona como uma espécie de semeadura para a vida imortal, uma passagem por meio da qual os cristãos começam a receber a imortalidade (I Coríntios 15.36,37). Outra maneira de sofrer essa passagem é pela transformação corpórea, chamada por muitos de arrebatamento, quando não se morre, mas se é despido do corpo físico. Segundo Paulo, quando Jesus voltar à Terra, os vivos passarão por essa experiência (I Coríntios 15.52; I Tessalonicenses 4.17).
Após esta semeadura, estaremos habilitados para sermos ressuscitados, quando a composição de nossos corpos vai mudar.
A respeito dessa ressurreição, Paulo começa explicando que cada criatura tem uma matéria que lhe é particular, sejam animais, sejam estrelas. Então, ele nos ensina que na ressurreição dos mortos “o corpo que é semeado é perecível e ressuscita imperecível; é semeado em desonra e ressuscita em glória; é semeado em fraqueza e ressuscita em poder; é semeado um corpo natural e ressuscita um corpo espiritual.” (I Coríntios 15.42-44).
Isso que dizer: a matéria-prima de nossos novos corpos deixará de ser física e será espiritual, ou seja, seremos espíritos semelhantes a Jesus Cristo depois de ressurreto (I Coríntios 15.47-49). Como João escreveu “ainda não se manifestou o que havemos de ser, mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, pois o veremos como ele é” (I João 3.2).
Quando finalmente tudo isso acontecer, uma nova ordem entrará em vigor. Hoje temos um mundo cheio de sofrimento e morte. Mas quando recebermos a glória e a imortalidade prometida, a criação, que atualmente geme de dor aguardando que os filhos de Deus (nós) sejam revelados, será liberta da situação de decadência em que se encontra (Romanos 8.19-22). João nos ensina que nesse tempo “não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou” (Apocalipse 21.4).
Nesse momento tão especial para a humanidade e toda a criação, a morte será finalmente vencida. Paulo ensina que “quando (...) o que é corruptível [nosso corpo] se revestir de incorruptibilidade [nossa ressurreição], e o que é mortal, de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: ‘A morte foi destruída pela vitória’” (I Coríntios 15.54). Nossa transformação e consequente imortalidade será a prova de que a morte perdeu a guerra pelas vidas. Seu fim será habitar para sempre no Lago de Fogo, onde não poderá mais ceifar nenhum mortal (Apocalipse 20.14).
Glória, honra e imortalidade: é nosso destino. Mas para que cheguemos a ele, devemos nos lembrar das palavras de advertência daqueles que, como nós, aguardam esse grande dia. João nos adverte: “Todo aquele que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro” (I João 3.3). E Pedro conclui: “Uma vez que vocês chamam Pai aquele que julga imparcialmente as obras de cada um, portem-se com temor durante a jornada terrena de vocês” (I Pedro 1.17).
Que os nossos olhos estejam na chegada e nossa vida agrade ao Senhor.