Costumo ir para o trabalho lendo a bíblia. Em pé, no metrô, costumo ter um dos melhores momentos do meu dia. É fascinante ver como Deus me prepara surpresas (Salmo 23.5) enquanto medito em textos que, às vezes, já li em várias ocasiões.
Mas na semana passada, Deus me preparou algo especial. Tenho que reconhecer: levei um susto e fiquei de queixo caído enquanto lia a bíblia.
O apóstolo João escreve que “um pouco antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que havia chegado o tempo em que deixaria este mundo e iria para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (João 13.1). E continua dizendo que, acabando de cear, Jesus levanta-se, improvisa um avental e vai lavar os pés dos discípulos.
Eu fico imaginando aquela cena. Jesus estava rodeado de seus doze discípulos. Eles comeram, conversaram e continuariam conversando muito. Mas havia um traidor (e vários covardes) entre aqueles homens, e Jesus tinha conhecimento disso. Ele sabia que o diabo já havia induzido Judas Iscariotes a traí-lo (João 13.2, 11). Ele sabia que Pedro iria negá-lo (João 13.38). Ele sabia que todos os outros discípulos também o abandonariam à própria sorte quando ele fosse preso (Marcos 14.27).
Entretanto, Jesus não se recusou a lavar os pés de nenhum deles; nem daqueles que o desamparariam, nem daquele que o negaria três vezes e, pasmem, nem daquele que trocaria seu amor por trinta moedas de prata (Mateus 26.15), uns quarenta e cinco mil reais, hoje. Pelo contrário, Jesus se ofereceu para lavar os pés de todos eles!
Acredito que a lavagem não foi feita daquele jeito grosseiro, de quando a gente está com preguiça ou com raiva de quem nos deu uma ordem chata. Ele fez com amor, pois a bíblia diz que Jesus amou seus discípulos até o fim (João 13.1). E amou a todos sem exceção, pois não encontro nenhuma alusão a diferenças no sentimento de Jesus em relação a Judas Iscariotes e aos outros discípulos. A única reação esboçada por Jesus foi perturbar-se em espírito, ficar com um incômodo dentro de si (João 13.21), por causa do que ele sabia que iria acontecer.
Ao ler essas passagens, fiquei com vergonha de mim mesmo, do meu comportamento, da minha maneira de se relacionar com as pessoas. Não conseguiria sequer oferecer um copo de água a alguém, se eu soubesse que essa pessoa iria me trair. Que dirá me entregar para morrer no lugar dela! Ainda não entra na minha cabeça humana querendo entender o mundo divino, algo que justifique o radicalismo de Jesus ao amar as pessoas.
Imagino Jesus se abaixando, pegando a água da bacia. Enquanto ele limpa a planta dos pés de Pedro, vem à sua mente suas três negações. Ao tocar nos pés de Judas Iscariotes, ele se vê sendo traído, trocado por dinheiro. Ainda assim, delicadamente ele seca os pés de cada um, e os ama, a ponto de decidir morrer por eles, por mim e por você (João 3.16; I João 4.9,10). Ele os amou a ponto de restaurar, em todos que o desejaram, a esperança e seus relacionamentos consigo (Atos 1.3,8).
Enquanto estiver nesse corpo, não poderei amar tão radicalmente como Jesus (I João 1.8; I Coríntios 15.49). Mas tenho a obrigação de me esforçar para chegar o mais próximo possível desse padrão radical de amor (I João 4.11). Nessa busca, tenho procurado usar as palavras de uma testemunha ocular daquela demonstração de amor, o apóstolo Pedro, como uma oração pedindo a Deus para ser um pouco mais parecido com Cristo.
“Senhor, que eu não retribua o mal com mal, nem insulto com insulto; ao contrário, que eu bendiga, pois para isso fui chamado. Que eu me afaste do mal e faça o bem; e busque a paz com perseverança. Pois sei que serei feliz, mesmo que venha a sofrer por praticar a justiça. Meu Deus, me ajude a compreender que é melhor sofrer por fazer o bem, se for da sua vontade, do que por fazer o mal. Pois você mesmo, Jesus, sofreu pelos meus erros, pelos meus pecados, o justo por injustos como eu, para me conduzir ao Pai. Que eu aprenda a amar as outras pessoas sinceramente e radicalmente, como você Jesus, pois o amor perdoa muitíssimos pecados. Em seu nome, amém.” (I Pedro 3. 9,11,14, 17, 18; 4.8)
Amar é o meu maior desafio todos os dias!
ResponderExcluirÉ!
ResponderExcluirUma tarefa muito dificil. Mais Deus com sua infinita misericordia, nos ensina todos os dias...