domingo, 26 de setembro de 2010

Por que fazemos o que fazemos?

Quando estamos aprendendo a dirigir, pensamos antes de cada coisa que fazemos. Pise na embreagem, mexa a alavanca, pise no acelerador, sinalize a mudança de direção. Depois que a carteira de habilitação chega em casa, e após alguns meses de treino, fazemos tudo aquilo de maneira automática, como se sempre soubéssemos daquilo. A maioria de nossos comportamentos funciona assim – com o tempo se tornam automáticos.

Há muitas vantagens em se comportar de maneira automática. Já pensou se a cada vez que você fosse digitar um texto, tivesse que pensar na localização de cada letra no teclado? Seria praticamente impossível redigir um email.

Mas a automatização dos comportamentos também tem suas desvantagens. Uma delas é que paramos de pensar a respeito dos motivos que estão por trás de nossos comportamentos.

Em nosso relacionamento com a cultura ao nosso redor, isso implica que somos, muitas vezes, levados a assumirmos um molde, um jeito de agir não cristão, e nem nos damos conta disso.

É como fazer ovos da páscoa em casa. A gente amolece o chocolate e depois coloca numa forma (pode ser circular, quadrada, cara de coelho, etc). Quando ele esfriar, vai assumir aquela forma, vai ficar amoldado conforme o molde. Paulo entendia muito bem como isso funcionava, de maneira que ele escreveu: “não se amoldem ao padrão deste mundo” (Romanos 12.1a).

Nós assumimos moldes, maneiras de agir não cristãs, quando nosso comportamento se torna automático, quando deixamos de nos perguntar: por que estou fazendo isso? E sabe como isso acontece? Habitando num mundo estranho, o contrário daquele planejado pelo Criador (Romanos 8.18-23), sou exposto a todo tipo de comportamento que vai contra o desejo de Deus – pecados. Com essa contínua exposição, unida ao mau desejo que faz parte de mim (Romanos 7.18; Tiago 1.14), acabo fazendo um monte de coisas erradas que as outras pessoas estão fazendo – pecados, também. Sem parar para pensar nas razões desses comportamentos errados, importando-me somente com o fato de que estou bem adaptado e de que sou bem visto pelas pessoas, vou me acostumando a agir assim. Até que, num determinado dia, já me esqueci de que houve uma época em que eu não era assim, que as coisas eram diferentes, que eu pensava no que Deus ia achar daquilo antes de realmente me aventurar naqueles comportamentos. Mas aí o estrago já está feito.

O perigo da automatização comportamental é maior ainda quando se aplica aos nossos hábitos considerados cristãos, como orar, jejuam, ler a bíblia, ir à igreja, aconselhar pessoas, etc. Quando essas atividades são feitas de maneira automatizada, elas perdem sua essência, pois não nos conectam mais a Deus; pelo contrário, elas nos afastam dele ao torná-lo um Deus rotineiro, sem graça e maluco por repetições de coisas idiotas que nem mais fazem sentido para nós.

Há uma saída para os prejuízos que a automatização pode nos trazer. Paulo continua o texto aos romanos dizendo “transformem-se pela renovação da sua mente” (Romanos 12.1b). Renovar a mente é trazer frescor, é colocar novas cores nas paredes já desgastadas da consciência – é se perguntar: por que estou fazendo isso? Que motivos me fazem ver pornografia na internet? Por que deixei de ofertar? Por que estou servindo nesse ministério? Por que abusar do álcool ou do sorvete? Qual é a razão de eu ir à igreja todos os domingos? O que me leva a evitar a igreja?

São perguntas sinceras como essas, relativas aos nossos comportamentos, que devem receber respostas verdadeiras de nós mesmos para que deixemos de lado as várias práticas que desagradam a Deus.

Por que cometo esse pecado? Sejamos sinceros, é por que somos pecadores (Romanos 3.23) que precisamos nos arrepender e pedir perdão a Deus (I João 1.9). Qual é a razão de ir à igreja aos domingos? É por que a bíblia nos diz que para irmos à uma igreja local, pois ela é lugar de encorajamento (Hebreus 10.25).

Esses dois exemplos ilustram uma verdade: perguntar-se, sinceramente, e à luz da Palavra, o porquê de nossas ações nos leva a “experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12.2c). Da próxima vez, responda para si mesmo: por que faço isso?

Um comentário:

Expresse sua opinião. Mas releia seu comentário antes de postá-lo. Obrigado!